O Que é o Câncer de Intestino?
O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, é um tipo de tumor que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto.
Apesar de ser um dos canceres mais comuns no Brasil, é uma doença que pode ser prevenida, já que, na maioria dos casos, começa com pólipos adenomatosos — pequenas lesões na parede do intestino — que, ao longo dos anos, podem se transformar em tumores malignos.
Segundo o Ministério da Saúde, a remoção desses pólipos antes de sofrerem mutações é uma das principais formas de evitar o desenvolvimento do câncer.
O câncer de intestino ocupa o terceiro lugar entre os mais diagnosticados no país, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A estimativa para o triênio de 2023 a 2025, aponta que aproximadamente 46 mil novos casos de câncer de cólon e reto surgirão, representando 6,5% de todos os diagnósticos de câncer.
Além disso, as mulheres têm uma incidência ligeiramente maior, com 24 mil novos casos estimados, enquanto os homens respondem por 22 mil nos próximos anos.
Principais Sintomas do Câncer de Intestino
O câncer de intestino pode se desenvolver de forma silenciosa, sem sintomas aparentes nos estágios iniciais. No entanto, à medida que a doença vai progredindo, os sintomas vão aparecendo.
Os principais sintomas do câncer de intestino são:
- Mudança repentina no hábito intestinal (episódios persistentes de prisão de ventre ou diarreia, sem motivo aparente);
- Sangue nas fezes, que pode variar de vermelho vivo a escuro, quase preto, dependendo do local do tumor;
- Dor ou desconforto abdominal (sensação frequente de inchaço, cólicas ou excesso de gases);
- Vontade frequente evacuar, com a sensação de que o intestino não foi corretamente esvaziado;
- Fraqueza, cansaço e anemia (a perda de sangue pode levar à falta de ferro no organismo, resultando em fadiga constante);
- Perda de peso inexplicável (emagrecimento sem mudanças na alimentação ou nos hábitos diários).
A dor abdominal é dos principais sintomas do câncer de intestino – Fonte: Freepik
A presença de sangue nas fezes é um dos sinais mais preocupantes. Quando o sangramento ocorre na parte superior do intestino, o sangue tende a ser escuro, quase preto.
Já em tumores mais próximos aos anus ou reto, o sangue costuma ser vermelho vivo e visível a olho nu.
IMPORTANTE: Ter um ou mais desses sintomas não significa necessariamente que você tem câncer de intestino. No entanto, qualquer alteração persistente no funcionamento do intestino deve ser investigada por um profissional da saúde.
Fatores de Risco e Prevenção
O câncer de intestino não tem uma causa única, mas alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença, como:
- Histórico familiar de câncer de intestino e de doenças inflamatórias intestinais;
- Alimentação rica em gordura e pobre em fibras;
- Consumo excessivo de carnes processadas e vermelhas;
- Obesidade e sedentarismo;
- Tabagismo e consumo de álcool;
Embora nem todos os fatores de risco possam ser evitados, adotar um estilo de vida saudável pode reduzir as chances de desenvolver a doença, como:
- Manter uma alimentação rica em fibras, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais;
- Praticar exercícios físicos regularmente, para o bom funcionamento do organismo e reduzir o risco de obesidade;
- Evitar o tabagismo e moderar o consumo de álcool;
- Fazer um check-up anualmente e realizar exames preventivos quando solicitado pelo médico ou após os 50 anos.
Vale destacar que adotar hábitos saudáveis não apenas reduz o risco de câncer de intestino, mas também melhora a qualidade de vida como um todo.
Como é o Sangue nas Fezes em Casos de Câncer de Intestino?
O sangue nas fezes pode ter diversas causas, como hemorroidas, fissuras anais e doenças inflamatórias intestinais, mas também pode ser um alerta para problemas mais graves, como o câncer de intestino.
A cor do sangue pode ajudar a identificar onde está ocorrendo o sangramento:
- Sangue vermelho vivo: geralmente indica sangramento na parte final do intestino, como no reto ou no ânus.
- Sangue escuro (fezes enegrecidas): indica sangramento na parte superior do trato digestivo, como no cólon ascendente ou no estomago.
Se houver qualquer sinal de sangue nas fezes, especialmente acompanhado de outros sintomas mencionados anteriormente, é importante procurar um médico para uma avaliação detalhada.
Diagnóstico do Câncer de Intestino
O oncologista especialista em tumores gastrointestinais é o médico indicado para investigar os sintomas de câncer de intestino e tratar a doença.
Para diagnosticar o câncer de intestino, o especialista deve avaliar o histórico clínico e familiar do paciente e solicitar diferentes exames, como:
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes: identifica pequenas quantidades de sangue que não são visíveis a olho nu, podendo indicar sangramento interno;
- Colonoscopia e retossigmoidoscopia: são exames que permitem visualizar o interior do intestino e detectar a presença de pólipos ou tumores;
- Exames de imagem: tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia podem ser usados para avaliar a extensão do tumor e possíveis metástases.
O câncer de intestino tem altas chances de cura quando detectado precocemente. Por isso, exames preventivos, especialmente a colonoscopia a partir dos 50 anos, são fundamentais para identificar pólipos antes que evoluam para um tumor maligno.
Exames preventivos podem evitar o câncer de intestino – Fonte: Freepik
Tratamentos para o Câncer de Intestino
O tratamento do câncer de intestino varia de acordo com o estágio da doença, a localização do tumor e o estado de saúde do paciente.
A abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, cirurgiões, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros especialistas, é fundamental para garantir o melhor resultado e a qualidade de vida durante o tratamento.
Nos estágios iniciais (I e II), a cirurgia é o principal tratamento, podendo ser complementada por quimioterapia. A quimioterapia pode realizada antes da cirurgia para reduzir o tumor ou após o procedimento para evitar a recorrência da doença.
Já nos estágios mais avançados (III e IV), além da cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia tornam-se necessárias, com a possibilidade de incluir terapias alvo e imunoterapia para um tratamento mais eficaz.
No entanto, cada paciente recebe um plano de tratamento personalizado, levando em consideração a localização do tumor, o estágio da doença e suas condições de saúde.
Por isso, o acompanhamento médico especializado e o diagnóstico precoce são essenciais para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida.
Câncer de Intestino e Cuidados com Lesões ou Feridas
O tratamento do câncer de intestino, especialmente quando envolve cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, pode causar uma série de complicações, como obstrução intestinal, perfuração de cólon, sangramento gastrointestinal, anemia, emagrecimento, fístula e intussuscepção.
Após a cirurgia para remoção do tumor, o processo de recuperação pós-cirúrgica exige cuidados específicos para garantir uma boa cicatrização e minimizar os efeitos colaterais.
A alimentação deve ser cuidadosamente controlada, com o auxílio de um nutricionista. Inicialmente, a dieta será líquida, seguida de uma fase pastosa e, finalmente, sólida.
É importante evitar alimentos que possam aumentar a produção de gases ou que sejam ricos em gordura, pois podem interferir na cicatrização e dificultar a recuperação. Além disso, a hidratação é fundamental para ajudar na recuperação dos tecidos e manter o equilíbrio do organismo.
Outro ponto importante é o repouso. Durante o processo de recuperação, é fundamental que o paciente evite esforços físicos para não comprometer a área da cirurgia. O retorno às atividades físicas deve ser autorizado pelo médico e realizado gradualmente, começando com exercícios leves que não demandem esforço excessivo.
O repouso é fundamental para uma boa recuperação – Fonte: Freepik
Nos casos em que foi necessário realizar a colostomia ou ileostomia, alguns cuidados com a bolsa coletora são necessários para evitar infecções. A bolsinha deve ser higienizada todos os dias e trocada sempre que atingir 2/3 da sua capacidade máxima, ou conforme a recomendação médica. Isso ajuda a evitar vazamentos.
Sua troca geralmente é feita uma ou duas vezes por semana, dependendo da necessidade. Também é importante monitorar e ficar atento à irritação da pele ao redor do estoma. Se houver sinais de infecção ou febre, é fundamental procurar o médico para avaliação.
A alimentação pós-cirúrgica requer cuidados específicos, especialmente em casos de remoção parcial ou total do intestino grosso, que pode afetar a absorção de líquidos e diluir as fezes.
Recomenda-se manter uma dieta balanceada, com ingestão adequada de líquidos, e evitar alimentos industrializados, frituras e alimentos ricos em sal. O acompanhamento de um nutricionista é fundamental para garantir que o paciente esteja recebendo os nutrientes necessários para sua recuperação.
Seguindo essas orientações, o paciente pode otimizar o processo de recuperação, evitando complicações e promovendo uma melhor qualidade de vida durante e após o tratamento.
Andrezza Barreto
Andrezza Silvano Barreto
Enfermeira formada pela UFC | Pós-Graduanda de Estomaterapia pela UECE |
Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Cuidados Clínicos pela UECE |
Consultora Especialista de Produtos da Vuelo Pharma |
Consultora de produtos Kalmed Hospitalar desde 2021 |
Enfermeira da Equipe de Estomaterapia do Hospital Geral César Cals |
Colabora externa da Liga Acadêmica de Enfermagem em Estomaterapia (UFC) desde 2020 com atuação no ambulatório de feridas e incontinência urinária |
Preceptora da Pós-graduação em Estomaterapia – UFC no ambulatório de incontinência urinária